
O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Gilmar Mendes, afirmou nesta segunda-feira (22) que o presidente da Suprema Corte, Edson Fachin, não foi feliz na escolha do momento para apresentar uma proposta de código de ética do tribunal.
“A censura que eu fiz ao código de ética do Fachin foi em relação ao momento, à escolha do momento em que ele foi apresentado, quando se discutiam questões internas do Supremo Tribunal Federal. Acho que ele não foi feliz na escolha desse momento”, disse Gilmar Mendes durante entrevista no programa Roda Viva.
O ministro afirmou que houve um “certo entusiasmo juvenil” em torno da proposta de adotar um código de ética inspirado no modelo alemão, mas ressaltou que há diferenças entre os sistemas constitucionais da Alemanha e do Brasil.
“Houve um certo entusiasmo juvenil dizendo: ‘Nós vamos ter um código de ética alemão’. E eu até me dei ao trabalho de comparar o texto do código alemão com a nossa legislação, e há muitas coincidências. Agora, a tradição alemã de jurisdição constitucional é diferente da tradição brasileira de jurisdição constitucional”, concluiu.
Segundo ele, o momento não era de aprofundar essa discussão, pois havia um ministro que “tem muitos méritos reconhecidos por uma parte do Brasil, mas também é alvo de muitas controvérsias”, disse, sem citar nomes, mas em uma referência sutil a Alexandre de Moraes.
“Não havia nenhuma proposta a propósito disso. Na verdade, era um tipo de cortina de fumaça. Mas, obviamente, isso não ia reunir o colegiado, não ia reunir votos”, concluiu.
Questionado por jornalistas sobre quando seria o melhor momento, uma vez que a Corte está constantemente no centro de crises, o ministro não respondeu.
