
No ambiente empresarial, decisões são tomadas todos os dias — muitas delas com impacto direto em faturamento, margem, lucro e crescimento. Na prática, grande parte dessas decisões ainda nasce de percepções: a experiência do gestor, a “sensação” de que algo melhorou ou a leitura informal de indicadores. O problema não está na percepção em si, mas em parar nela e não avançar para a evidência.
Após algumas aulas de estatística no doutorado em Engenharia de Produção — estudando probabilidades, testes de hipóteses, inferência a partir de duas amostras, entre outros temas — ficou ainda mais clara a ligação direta desses conceitos com o dia a dia empresarial. O que muitas vezes tratamos como “feeling” pode (e deve) ser validado com método.
No nosso dia a dia na Montenegro, e nas empresas em geral, isso fica ainda mais evidente. Estamos constantemente testando novos modelos de atendimento, ajustes de processos e formas de entregar valor.
É um ambiente de experimentação contínua. Mas, sem método, corremos o risco de cair no achismo e tomar decisões com base no que “parece funcionar”, e não no que de fato funciona.
Inclusive, neste momento, na Montenegro Contabilidade, estamos implantando um novo modelo de negócio — o que torna ainda mais essencial o uso das ferramentas estatísticas para avaliar, com maior precisão, os resultados gerados por essa nova forma de atuação.
É comum ouvirmos afirmações como “os resultados melhoraram” ou “essa estratégia funcionou melhor”. Mas a pergunta essencial quase nunca é feita: isso é baseado em dados ou apenas em impressão? Sem validação, decisões passam a sofrer influência de vieses — e isso, no fim, custa dinheiro.
Nesse contexto, a inferência estatística surge como um instrumento prático para transformar percepção em evidência. Ao comparar cenários — antes e depois de uma mudança, ou entre grupos diferentes — é possível avaliar se a diferença é real ou fruto do acaso. Saímos do “parece que melhorou” para o “estatisticamente, houve melhora”.
Imagine uma empresa que implementa um novo modelo de atendimento. Após alguns meses, percebe aumento no faturamento dos clientes. Essa percepção pode estar correta, mas não é suficiente para sustentar decisões estratégicas. Ao aplicar testes estatísticos, é possível verificar se o resultado é consistente ou apenas uma variação natural. Quando há significância, a empresa ganha evidência para escalar com segurança.
Empresas que adotam essa abordagem tomam decisões mais precisas, reduzem riscos e alocam melhor seus recursos. Mais do que trabalhar com números, passam a trabalhar com inteligência.
No fim, a diferença entre empresas que crescem de forma consistente e aquelas que permanecem estagnadas está na forma como decidem. A pergunta é simples: você está decidindo com base no que parece ou no que está comprovado?
João Montenegro é professor da UFRN, CEO da Montenegro HUB, contador e pesquisador em inovação, gestão e empreendedorismo. É colunista do Portal Juristec, onde escreve sobre temas que conectam pessoas, decisões e negócios em movimento.
