
A inteligência artificial passou a fazer parte da realidade das empresas e muita gente acredita que apenas contratar ferramentas modernas será suficiente para aumentar produtividade, reduzir custos e melhorar resultados. Mas, na prática, não funciona exatamente assim. Como destacou recentemente uma reportagem do Estadão, muitas empresas ainda enfrentam dificuldades para transformar o uso da IA em ganhos reais por falta de preparo interno, processos estruturados e capacitação das equipes.
A tecnologia não substitui o conhecimento das pessoas nem o entendimento do negócio. Pelo contrário: quanto mais avançadas forem as ferramentas, maior será a necessidade de profissionais capacitados para analisar informações, interpretar dados e tomar decisões com senso crítico. Quando os processos já são desorganizados, a IA apenas acelera erros, retrabalhos e falhas operacionais.
Temos observado isso em muitas empresas. Existe uma corrida para implantar soluções de IA, mas várias ainda enfrentam dificuldades em atividades básicas, padronização de processos e capacitação das equipes. Isso mostra que, antes de investir somente em tecnologia, é fundamental fortalecer o conhecimento das pessoas sobre suas próprias rotinas e operações. A tecnologia potencializa aquilo que a empresa já possui.
Outro ponto importante é que a busca por resultados rápidos faz algumas organizações investirem em ferramentas sem um planejamento claro. Em muitos casos, o problema não está na inteligência artificial em si, mas na falta de estratégia, treinamento e maturidade operacional para utilizar a tecnologia da forma correta.
As empresas que mais irão se destacar nesse novo cenário não serão apenas as que possuem as ferramentas mais sofisticadas, mas sim aquelas que conseguirem criar uma cultura de aprendizado contínuo, adaptação e desenvolvimento das pessoas. A IA vai transformar o padrão das organizações, mas o grande diferencial continuará sendo humano: profissionais preparados para transformar tecnologia em produtividade, decisão e resultado.
João Montenegro é professor da UFRN, CEO da Montenegro HUB, contador e pesquisador em inovação, gestão e empreendedorismo. É colunista do Portal Juristec, onde escreve sobre temas que conectam pessoas, decisões e negócios em movimento.
