
Por Matheus Scremin Santos
Durante muito tempo, o mercado jurídico sustentou a ideia de que um grande escritório era, sobretudo, a soma de bons profissionais técnicos. Saber o direito, interpretar a norma com precisão e conduzir teses consistentes parecia bastar para definir a força de uma banca. Essa base continua indispensável. Mas já não é suficiente.
A advocacia empresarial mudou porque o ambiente de negócios mudou. Hoje, empresários, investidores, famílias empresárias e executivos não procuram apenas respostas juridicamente corretas. Procuram direção. Procuram leitura estratégica. Procuram assessoria capaz de compreender contextos complexos, antecipar riscos, organizar estruturas e participar, com maturidade, das decisões que impactam patrimônio, governança, expansão e continuidade.
É justamente a partir dessa visão que tenho buscado conduzir o MSA.
Mais do que um escritório orientado apenas por excelência técnica, entendo que a advocacia contemporânea precisa ser construída sobre uma base mais ampla: liderança, inteligência institucional, inovação aplicada e crescimento intelectual contínuo. Em outras palavras, o escritório que deseja permanecer relevante precisa se organizar não apenas para atuar bem, mas para pensar melhor.
No MSA, essa lógica não está restrita ao discurso. Ela vem sendo materializada em estruturas internas que reforçam uma visão efetivamente estratégica da advocacia.
Comissão de gestão de líderes, criada para auxiliar nas decisões do CEO e contribuir para uma cultura de liderança mais madura, participativa e institucional. Sempre defendi que escritórios sólidos não se constroem a partir de centralização excessiva, mas por meio de lideranças preparadas, comprometidas e capazes de qualificar o processo decisório. Quando a gestão deixa de ser isolada e passa a ser enriquecida por quem vive a operação com profundidade, o escritório ganha consistência, visão e capacidade de evolução.
Também estruturamos um comitê de inovação e tecnologia, voltado à criação de ferramentas, aprimoramento de fluxos e incorporação inteligente de soluções tecnológicas ao dia a dia do escritório, especialmente com o uso da inteligência artificial. Mas, para mim, inovação séria não pode ser tratada como estética de modernidade. Tecnologia não deve servir para impressionar; deve servir para organizar, dar precisão, gerar eficiência e liberar tempo para aquilo que realmente diferencia um bom advogado: raciocínio, critério e visão estratégica.
A inteligência artificial, nesse contexto, não substitui o pensamento jurídico. Ela potencializa a estrutura do escritório quando aplicada com responsabilidade, supervisão e propósito.
Há ainda um terceiro eixo que considero essencial para o futuro da advocacia: o investimento no repertório humano. Por isso, criamos no MSA um comitê de leitura e aperfeiçoamento profissional, destinado a fomentar o crescimento intelectual dos associados e da equipe em geral. Em um tempo marcado pelo excesso de informação superficial, incentivar leitura qualificada, aprofundamento técnico e amadurecimento de pensamento deixou de ser detalhe. Passou a ser uma decisão institucional.
Escritórios que não cultivam densidade correm o risco de se tornar apenas operacionais. E a advocacia empresarial, quando levada a sério, precisa formar profissionais que saibam mais do que executar tarefas. Precisa formar pessoas capazes de interpretar cenários, sustentar ideias, escrever com clareza, dialogar com sofisticação e compreender o direito em conexão com o mundo real dos negócios.
Essa é uma convicção que carrego com clareza: a força de um escritório não está apenas nos casos que ele conduz, mas na inteligência da estrutura que ele constrói para sustentar sua atuação ao longo do tempo.
No MSA, acredito que estratégia não significa apenas assessorar operações complexas ou atuar em temas relevantes. Estratégia também significa olhar para dentro e estruturar uma cultura capaz de produzir excelência de forma contínua. Significa investir em lideranças. Significa institucionalizar a inovação. Significa entender que crescimento intelectual não é algo acessório, mas um ativo real do escritório.
O futuro da advocacia empresarial não será definido apenas por quem domina tecnicamente a lei. Será definido, cada vez mais, por quem souber conectar técnica jurídica à gestão, à tecnologia, à liderança e ao desenvolvimento humano. Em um mercado mais exigente, mais sofisticado e mais competitivo, não basta ser bom juridicamente. É preciso ser estruturalmente inteligente.
É essa advocacia que tenho buscado construir no MSA. Uma advocacia que não atua apenas sobre problemas postos, mas que ajuda a organizar o presente e preparar o futuro. Porque escritórios verdadeiramente estratégicos não nascem do improviso. Eles são resultado de método, visão e construção diária.
Matheus Scremin Santos
Advogado empresarial | CEO do MSA
