A percepção de que o Judiciário brasileiro é moroso não tem amparo em dados. O constante aumento no volume de ações tem sido acompanhado por recordes de produtividade, que colocam a Justiça do país como a mais demandada do mundo.

A sustentação é da juíza Vanessa Mateus, presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), que falou sobre o assunto à revista eletrônica Consultor Jurídico durante o lançamento do Anuário da Justiça Brasil 2026, neste mês.

A juíza destacou destacou os dados informados pelo Anuário, que registram a entrada de 40 milhões de novos casos por ano, 45 milhões de ações julgadas e um acervo de 75 milhões de processos em andamento.

“O que a gente ouve dizer é que nós somos o judiciário mais caro do mundo. Nós não somos. Nós somos o judiciário mais produtivo, nós somos o judiciário com maior acesso, nós somos o judiciário com mais processo no mundo, nós somos o judiciário com juízes que produzem mais nesse mundo”, afirma.

“Não é possível corrigir rotas, não é possível corrigir rumos, não é possível reorganizar a gestão da Justiça sem um diagnóstico, sem os números, sem a demonstração do que nós estamos produzindo, de que forma nós estamos produzindo, quão celere nós estamos caminhando”, apontou.

A presidente da AMB ressalta que a sucessão de recordes na distribuição e na redução de estoques comprova a adaptação da Justiça à crescente litigiosidade do país. Ela refutou a ideia de que o sistema é excessivamente lento, lembrando que os processos, exceto por execuções fiscais, tramitam em média em um ano e sete meses.

“Esses números mostram que a gente tem investido, alocado os nossos recursos, investido no nosso parque tecnológico, investido na nossa produtividade e prestado uma população cada vez melhor, uma jurisdição cada vez melhor à população”, explicou a presidente.

FONTE: CONJUR | FOTO: Reprodução