
A participação de profissionais negros nos maiores escritórios de advocacia do Brasil continua crescendo, mas ainda permanece distante da representatividade da população brasileira. Segundo o novo censo da Aliança Jurídica para a Equidade Racial, divulgado nesta semana, pessoas negras representam 13,4% dos advogados dessas bancas — avanço em relação aos 11,3% registrados em 2021.
O levantamento foi realizado em dez grandes escritórios de advocacia e contou com respostas de mais da metade dos funcionários. Os dados indicam que as iniciativas de diversidade implementadas nos últimos anos ajudaram a ampliar a contratação de profissionais negros, mas revelam novos desafios ligados à permanência e ascensão na carreira.
Segundo representantes da Aliança, o foco agora deixou de ser apenas ampliar o acesso e passou a incluir estratégias de retenção de talentos. Programas de capacitação, cursos de idiomas, mentorias, apoio para desenvolvimento profissional e ações voltadas ao networking estão entre as iniciativas adotadas pelos escritórios.
Especialistas apontam que políticas como a Lei de Cotas contribuíram para ampliar o acesso de estudantes negros ao ensino superior, mas ainda existem barreiras para inserção e crescimento em ambientes tradicionalmente mais elitizados, como grandes bancas de advocacia.
Os dados também mostram que a presença em cargos de liderança segue limitada. A participação de profissionais negros em diretorias cresceu, mas permanece abaixo de 10%, enquanto mulheres negras em posições de liderança ainda aparecem em proporção muito reduzida.
Entre os próximos desafios apontados pelo setor estão consolidar os avanços já alcançados, ampliar oportunidades de promoção e fortalecer ações internas de conscientização para reduzir desigualdades raciais dentro do ambiente jurídico.
