
A ampliação da isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5.000,00 por mês tem gerado muita repercussão, e com razão. Esse é um tema que mexe diretamente com o bolso das pessoas. Hoje, inclusive, conversei sobre isso na 96 FM, no programa de Bruno Giovanni, ao lado de Bruno Araújo, justamente porque estamos falando de uma mudança que impacta a vida de milhões de brasileiros no dia a dia.
De forma bem objetiva, a proposta é simples: quem recebe até R$ 5.000,00 por mês deixa de pagar Imposto de Renda. Isso corrige uma distorção, ainda que parcial, antiga da tabela do IR, que ficou anos sem atualização adequada, enquanto o custo de vida só aumentava. Na prática, significa menos imposto descontado na folha e mais dinheiro sobrando no fim do mês. Para quem ganha até esse valor, a economia mensal estimada é de aproximadamente R$ 312,89, o que, ao longo do ano, faz uma diferença relevante no orçamento familiar.
Os estudos indicam que cerca de 10 milhões de brasileiros devem deixar de pagar Imposto de Renda a partir de 2026. Vale lembrar que, em 2023, apenas cerca de 22% da população brasileira efetivamente pagou Imposto de Renda. Com a ampliação da faixa de isenção, esse percentual será ainda menor. Isso ajuda a entender o impacto social da medida, mas também evidencia o tamanho do desafio fiscal que vem pela frente.
As estimativas apontam para uma redução de arrecadação em torno de R$ 25,84 bilhões. Para compensar parte dessa perda, o governo já anunciou algumas medidas. A partir de janeiro, passa a ser tributada em 10% a distribuição mensal de lucros acima de R$ 50.000,00 para pessoas físicas. Além disso, houve um aumento de 10% na tributação das empresas optantes pelo lucro presumido, transferindo parte do ajuste para empresários e sociedades que operam nesse regime.
Do ponto de vista do trabalhador assalariado, o efeito é direto e positivo: aumento do salário líquido, menos aperto no fim do mês e maior previsibilidade financeira. Pode não parecer muito quando se olha apenas para um mês, mas no acumulado do ano esse valor pesa, especialmente para quem vive com orçamento justo.
No Brasil, esse movimento tende a ficar mais evidente. Se menos pessoas pagam Imposto de Renda, o Estado precisa buscar receita em outras bases. O caminho mais comum é o consumo, que atinge a todos. O que é praticamente certo, nesse cenário, é que teremos aumento nos preços de produtos e serviços, seja de forma direta, seja embutido na cadeia produtiva.
Por isso, o debate não pode ser simplificado como “pagar menos imposto” ou “pagar mais imposto”. Trata-se de quem paga, como paga e onde o imposto é cobrado. O desafio do governo será equilibrar justiça tributária, responsabilidade fiscal e controle de preços, sem penalizar ainda mais o consumo das famílias.
A conversa na rádio deixou algo muito claro: as pessoas querem entender como os impostos afetam sua vida. Falar de Imposto de Renda não é um assunto distante ou técnico demais. É falar de salário, de consumo, de planejamento financeiro e de escolhas que impactam toda a sociedade.
No fim das contas, a isenção do Imposto de Renda até R$ 5.000,00 representa um alívio importante para milhões de brasileiros, mas também escancara o tamanho do desafio fiscal do país. O caminho agora é acompanhar como essas medidas vão funcionar na prática e se o equilíbrio entre justiça tributária e responsabilidade fiscal será, de fato, alcançado — sem que a conta volte, mais uma vez, para o consumo e para o bolso do cidadão.
João Montenegro é professor da UFRN, CEO da Montenegro HUB, contador e pesquisador em inovação, gestão e empreendedorismo. É colunista do Portal Juristec, onde escreve sobre temas que conectam pessoas, decisões e negócios em movimento.
