
Na última aula de Seminários de Projetos, o assunto inevitável apareceu: tecnologia. Conversamos sobre inteligência artificial, automação, dados e todos esses elementos que moldam um futuro ainda em construção. Nesse debate, surgiu um conceito ainda pouco explorado: Sociedade 5.0. O Japão cunhou o termo não por modismo, mas como resposta a uma ameaça silenciosa.
Quando a tecnologia deixa de servir e começa a mandar, algo essencial se perde no caminho.
A linha do tempo que vimos em sala resumiu bem essa trajetória. A Indústria 4.0 nos trouxe velocidade e eficiência em níveis impressionantes, porém também o risco de reduzir pessoas a números. A Sociedade 5.0 surge como contraponto. Seu objetivo não é fabricar máquinas brilhantes. É garantir que brilhem em prol da vida humana.
Nesse cenário, Direito e Contabilidade se tornam protagonistas. Afinal, quem responde por uma decisão tomada por algoritmo? Como tributar o invisível que movimenta economias digitais? Como assegurar que dados pessoais, agora valiosos, não sejam moeda para abusos? Os códigos precisam acompanhar as transformações antes que elas escapem ao controle.
No Brasil, o desafio é dobrado. Não existe sociedade inteligente com cidadãos desconectados. Se a tecnologia criar uma elite digital e deixar o resto do país para trás, falhamos no básico. Inclusão, educação e instituições fortes não são opcionais. São pré-requisitos.
A pergunta central permanece: para quem estamos inovando? Progresso que não expande dignidade é só tecnologia enfeitada. Toda máquina, algoritmo ou automação só se justifica quando nos torna mais humanos. Se o avanço não alcançar as pessoas, vira retrocesso mascarado de modernidade.
O futuro será digital. Isso ninguém discute. O grande dilema está em garantir que continue sendo nosso.
João Montenegro é professor da UFRN, CEO da Montenegro HUB, contador e pesquisador em inovação, gestão e empreendedorismo. É colunista do Portal Juristec, onde escreve sobre temas que conectam pessoas, decisões e negócios em movimento.
