A ministra do STF (Supremo Tribunal Federal), Cármen Lúcia, afirmou nesta segunda-feira (10) que as ofensas que recebe são pelo fato de ela ser mulher, e não pela sua conduta profissional, seu desempenho, ou até mesmo sua conduta pessoal. A fala de Cármen ocorreu durante o durante XVII Fórum Nacional de Juízas e Juízes de Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher.

“Como presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) eu vi, assisti e recebi denúncias, das violências praticadas contra as mulheres (…) o discurso de ódio contra o homem é um (…) é que é um mal administrador (…) o discurso contra nós [mulheres] é sexista, machista, é misógino, acho que os juízes e as juízas já ouviram, sabem o que que algum, inclusive deputados, já falaram a meu respeito (…) nada a ver com a minha conduta profissional, com o meu desempenho, nada a ver nem com a minha conduta pessoal, mas um xingamento que diz respeito às condições morais de uma mulher”, afirmou.

Ainda durante sua fala, ao citar o meio do Direito e do serviço público, a ministra afirmou que as mulheres não são tratadas com igualdade em relação aos homens.

Em outro momento, Cármen sugeriu que “talvez seja a hora da gente [sociedade] pensar”, mencionando que a violência “é um sintoma, é a doença quando ela aparece”.

“O ódio contra as mulheres gera todos os tipos de violência (…) os agressores expressam com a violência o que sentem (…) eu acho que a gente precisa no Direito é refletir, como que ao invés de combater apenas a violência, mas este homem (…) depois se une a outra mulher e repete o mesmo tratamento”, ponderou.

Ao citar opiniões que houve, como em relação ao seu cabelo, que sugerem que ela o pinte, a ministra afirmou gostar de seu visual, além de dizer não caber no “modelo dos outros”.

“Eu queria não envelhecer, mas aí a outra opção não era boa (…) a outra era ir embora, e eu não quero, então deixa a minha cabeça branca, eu gosto tanto dela…”, disse.

FONTE: CNN Brasil | FOTO: Glaucio Dettmar