
Juiz estipula o valor de R$ 250 mil para cada um dos pais de jovem que cursava geografia e trabalhava como monitor
O Tribunal de Justiça de São Paulo obrigou a USP (Universidade de São Paulo) a indenizar em R$ 500 mil a família do estudante Filipe Varea Leme. Em abril de 2019, Filipe, então com 21 anos, foi encontrado morto nas dependências da Escola Politécnica, localizada no campus da universidade.
Aluno do curso de geografia na FFLCH (Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas), ele também trabalhava como monitor na Poli.
Durante o expediente, Filipe recebeu a missão de transportar um armário de madeira, que tombou sobre o seu corpo dentro de um elevador adaptado para pessoas com deficiência.
Em sua decisão, publicada nesta terça-feira (1º), o juiz Emílio Migliano Neto, da 7ª Vara da Fazenda Pública, determina que a USP pague R$ 250 mil para cada um dos pais, Fabio de Moraes Leme e Ester Varea Leme.
Esse valor deverá ser acrescido de juros de um por cento ao mês desde a data do episódio, 30 de abril de 2019.
A decisão é de primeira instância, e ainda cabe recurso.
Em nota, a USP afirma que “se solidariza com o sofrimento da família”. “A USP acolhe alunas e alunos em seus cursos de graduação, todos os anos, para melhorar a vida de cada um deles e delas”, diz.
“A USP é uma instituição comprometida com a missão de expandir os horizontes e melhorar o futuro de cada estudante. Quando uma tragédia como essa nos golpeia, sentimos dor e pesar. Estamos empenhados em manter o apoio à família do aluno Felipe (sic), cuja morte nos deixou e ainda nos deixa inconformados”, completa a universidade.
Filipe cursava o último semestre e era o único filho do casal, que ingressou com o pedido de indenização por danos morais em 2019.
“O acidente que vitimou fatalmente o único filho dos autores decorreu diretamente da negligência dos funcionários da requerida USP”, afirma Migliano Neto, em trecho da decisão.
“É inesperado para os pais que encaminham o filho para a universidade, e ele sai dali morto, dentro de um caixão do IML [Instituto Médico Legal]”, escreveu o magistrado.
O IML foi o órgão responsável pela perícia para elucidar o que causou o óbito. Segundo a Polícia Civil, a cabeça e o pescoço do jovem apresentavam hematomas.
Logo após a morte do aluno, a USP emitiu uma nota, na ocasião, na qual afirmava que prezava pela adoção de todas as medidas de segurança dentro de suas dependências.
FONTE: Folha Online | FOTO: Arquivo pessoal
