O empresário também precisa de um velho amigo

 

Completei 44 anos há poucos dias. Curiosamente, a semana do meu aniversário foi tudo, menos um momento de reflexão.

Foi uma sequência intensa de compromissos: uma viagem internacional, duas viagens nacionais, clientes de outros estados visitando nosso escritório, reuniões estratégicas, jantar em família, viagem com amigos e comemorações com a equipe do nosso ecossistema. Dias extraordinários, mas tão acelerados que não encontrei tempo para fazer aquilo que normalmente fazemos quando um ciclo termina: olhar para trás e entender o caminho percorrido antes de decidir os próximos passos.

A pausa veio de forma inesperada.

Na sexta-feira, já depois do aniversário, fui visitar um velho amigo. Alguém que acompanhou praticamente toda a minha trajetória profissional e pessoal. O abraço foi daqueles que dispensam apresentações. Nos olhos dele havia algo raro: a alegria genuína de quem torce pela sua felicidade sem esperar nada em troca.

Conversamos durante três horas, sem interrupções.

Falamos sobre negócios, família, escolhas, erros, acertos, perdas e conquistas. A sensação era curiosa: amigos verdadeiros podem passar anos sem se encontrar, mas, quando se reencontram, a amizade continua exatamente de onde parou.

Em determinado momento, percebi algo interessante.

Aquela conversa estava sendo mais valiosa do que muitas mentorias ou horas de planejamento estratégico.

Meu amigo não é advogado. Não é contador. Não é consultor empresarial. É um profissional que construiu sua vida trabalhando muito, enfrentando dificuldades e conquistando seu espaço com honestidade e perseverança.

Ainda assim, foi ele quem respondeu perguntas que eu mesmo vinha fazendo havia meses.

E não respondeu com teorias.

Respondeu com memória.

“Lembra quando você tomou aquela decisão?”

“Lembra daquele momento em que você acreditava que tudo daria errado?”

“Lembra daquela oportunidade que parecia um problema?”

Sem perceber, ele foi reconstruindo a linha do tempo da minha vida. E, quando olhamos a história inteira, muitas respostas aparecem naturalmente.

Isso me fez pensar no empresário.

Vivemos em uma época em que empresários estão cercados de especialistas. Advogados, contadores, consultores, bancos, planejadores financeiros, indicadores, dashboards e inteligência artificial.

Tudo isso é importante.

Mas existe algo que nenhuma planilha consegue entregar.

Perspectiva.

Quem acompanha a sua caminhada há anos enxerga padrões que você já não consegue perceber. Conhece seus valores, sabe como você reage diante das crises, entende seus objetivos e consegue lembrar por que determinadas decisões foram tomadas.

É exatamente por isso que acredito tanto no modelo de consultoria jurídica continuada.

Na MSA e na Scremin Global Advisors, nunca enxergamos nosso trabalho como a simples elaboração de contratos, defesas judiciais, holdings ou estruturas internacionais.

Essas entregas são consequência.

O verdadeiro valor nasce da relação construída ao longo do tempo.

Quando acompanhamos um empresário por anos, deixamos de conhecer apenas sua empresa. Passamos a conhecer sua família, seus projetos, seus receios, seus planos de expansão, seus conflitos societários, suas sucessões futuras e, principalmente, a lógica por trás de cada decisão.

Essa visão muda completamente a qualidade da assessoria.

Não somos chamados apenas quando surge um problema.

Participamos da construção das decisões antes que os problemas existam.

Planejamento societário, proteção patrimonial, reorganizações empresariais, internacionalização de capital, sucessão familiar, governança e eficiência tributária deixam de ser serviços isolados para formar uma estratégia contínua de crescimento e preservação do patrimônio.

É exatamente isso que uma consultoria jurídica continuada proporciona.

Ela cria memória institucional.

Assim como meu amigo conseguiu responder minhas dúvidas porque conhecia minha história, uma assessoria que acompanha o empresário ao longo dos anos consegue entregar soluções muito mais inteligentes do que alguém que conhece apenas um processo ou um contrato específico.

Não aconselha apenas olhando o problema.

Aconselha olhando toda a trajetória.

Existe um risco silencioso no sucesso.

Quanto maior a empresa cresce, mais pessoas passam a admirar o cargo e menos pessoas conhecem verdadeiramente o empresário.

Por isso, todo líder precisa preservar pessoas que tenham liberdade para dizer a verdade e que conheçam sua caminhada.

Na vida, isso pode ser um velho amigo.

Nos negócios, essa função deve ser exercida por uma equipe que caminhe ao lado do empresário por muitos anos, compreendendo sua história antes de oferecer qualquer solução.

Talvez esse seja o verdadeiro papel da advocacia empresarial moderna.

Não ser apenas a profissão que resolve conflitos.

Mas a parceira que ajuda a evitá-los.

Não apenas interpretar leis.

Mas compreender pessoas, empresas, famílias e legados.

Ao completar mais um ano de vida, achei que precisava encontrar respostas para o próximo ciclo.

Descobri que, antes disso, eu precisava apenas conversar com alguém que conhecesse a minha história.

E essa experiência reforçou uma convicção que levamos diariamente para dentro da MSA e da Scremin Global Advisors: as melhores decisões nunca nascem do improviso. Elas nascem do conhecimento profundo da trajetória de quem está do outro lado da mesa.

Porque quem conhece apenas o seu problema oferece uma solução.

Quem conhece a sua história ajuda a construir o seu futuro.

 

Dr. Matheus Scremin Santos