Filho da rainha Elizabeth 2ª abre mão das afiliações e dos patrocínios reais, segundo nota do Palácio de Buckingham

O príncipe Andrew, filho da rainha Elizabeth 2ª, renunciou nesta quinta-feira (13) a seus títulos militares no Reino Unido, um dia depois de ter o pedido de arquivamento de um processo civil que o acusa de abuso sexual negado por um juiz dos Estados Unidos.

De acordo com um comunicado divulgado pelo Palácio de Buckingham, a decisão do duque de York, como Andrew também é chamado, de abrir mão das “afiliações militares e patrocínios reais” contou com “a aprovação e o acordo da rainha”.

Ainda segundo a nota, o príncipe continuará sem assumir funções públicas —decisão que ele tomou em 2019, quando o escândalo sexual se agravou— e se defenderá na Justiça como um cidadão privado.

​Andrew negou várias vezes as acusações feitas por Virginia Roberts Giuffre, segundo as quais ele teria tido relações sexuais com a mulher quando ela tinha 17 anos.

Giuffre teria sido oferecida ao príncipe por Epstein, que se suicidou em uma prisão nos EUA em 2019 enquanto aguardava julgamento por acusações de tráfico sexual.

Em outubro de 2021, os advogados de Andrew pediram à Justiça americana que as acusações criminais contra ele fossem arquivadas por serem “juridicamente infundadas”.

A decisão desta quinta-feira ocorre horas depois da publicação de uma carta aberta em que mais de 150 veteranos das Forças Armadas do Reino Unido se dizem “chateados e com raiva” e pedem à rainha que despoje o príncipe de suas funções militares —se necessário, sem honras.

“Entendemos que ele é seu filho, mas escrevemos à senhora na qualidade de chefe de Estado e comandante-em-chefe do Exército, da Marinha e da Aeronáutica”, diz a carta. “Essas medidas poderiam ter sido tomadas a qualquer momento nos últimos onze anos. Por favor, não permita que demore mais.”

Os veteranos dizem ainda que Andrew ficou aquém dos padrões de “probidade, honestidade e conduta honrosa”, descrevem-no como “tóxico” e afirmam que ele trouxe descrédito às Forças Armadas britânicas. “Fosse este qualquer outro militar de alto escalão, seria inconcebível que ele fosse mantido no cargo.”

O Palácio de Buckingham havia dito mais cedo que não comentaria a publicação da carta, mas a demanda dos veteranos foi atendida, ainda que indiretamente.

Uma fonte ligada à realeza disse em anonimato à agência de notícias Reuters que Andrew não mais usará o título de “Sua Alteza Real” e que outros papéis de sua atribuição como príncipe devem ser distribuídos a diferentes membros da família real.

FONTE: Folha Online | FOTO: AFP