Plataforma atende 30 mil instituições em 23 países; base de clientes aumentou 115% em 2020

No princípio era o encontro de um grupo de jovens da igreja Sara Nossa Terra, onde estavam Sydney de Menezes e Pedro Franco, hoje com 41 e 37 anos, respectivamente. Ali começou a amizade entre os dois empreendedores que hoje comandam uma das maiores startups do segmento cristão do país: a inChurch, que oferece soluções para igrejas evangélicas que querem se digitalizar. A matéria completa pode ser lida na Folha Online.

São 30 mil igrejas atendidas pela empresa em 23 países. Em 2020, ano da pandemia que gerou uma chuva de liquidez no setor de tecnologia, a empresa teve um crescimento de 115% no número de clientes. No primeiro semestre de 2021, o aumento foi de 40%.

Os empreendedores afirmam que há casos de igrejas que foram de mil membros para 3.000 após firmar parceria com a empresa durante a pandemia. “Algumas deixaram de ser locais, apesar de estarem localizadas geograficamente, e começaram a expandir o trabalho”, afirma Pedro.

Até o final deste ano, a expectativa é alcançar 2 milhões de usuários.

A startup não nasceu para atuar com igrejas, mas foi nelas que os empresários viram uma oportunidade de mercado. “Quantas vezes a gente não está ali, dentro da igreja, com um cara do nosso lado pedindo para Deus um emprego, e mesmo sendo da comunidade, não descobre”, Sydney questionou Pedro em meados de 2013.

Nasceu dessa conversa a InRadar, um guia de bairro para os tempos de smartphone. O seu ativo era a ferramenta de filtros por grupo social, a maioria relacionado a religião. Os usuários poderiam procurar por serviços diversos e dar preferência a empreendedores evangélicos, católicos ou judeus, além de negócios sustentáveis ou de luxo.

Desde 2017, porém, o CNPJ da InRadar atende por InChurch. “Foi um momento em que acontecia uma mudança cultural muito grande: a inserção do smartphone na grande massa”, afirma Pedro.​ A dupla via que muitas igrejas ainda se organizavam com planilhas e papel, e que a operação antiquada impactava os fiéis.

Hoje a empresa oferece uma miríade de serviços. No cerne, segundo eles, está a aproximação do fiel à igreja —e, de quebra, o engajamento dos religiosos na instituição atendida.

Para ter a igreja que frequenta no celular, o fiel deve acessar a loja virtual de aplicativos e baixar o correspondente à sua instituição, desenvolvido pela inChurch juntamente com o site. Lá dentro, o usuário escolhe a unidade e passa a receber notificações, sugestões de leitura, podcasts, vídeos e cultos online. Ela ainda fica sabendo de eventos, nos quais pode se inscrever pela plataforma. É, em resumo, uma espécie de canal de notícias da igreja.

“A igreja se torna híbrida. Ela não é só física nem só online, assim como qualquer organização”, resume Pedro.

Também é híbrido o dízimo: é possível fazer transferência pelo aplicativo e por uma maquininha da inChurch. De cursos pagos a doações para missões em outros países, a igreja fica apta a receber por mais esse canal.

“O cara que vende balinha na rua está aceitando Pix. Aí eu chego na igreja e não posso ter nada?”, questiona Pedro ao referir-se às críticas sobre a ferramenta. Os recursos já são direcionados para um objetivo —como uma missão em Angola ou uma ação de caridade—, o que aumentaria a transparência, segundo ele. A prestação de contas aos fiéis, no final do mês ou do ano, é uma opção da igreja.

FONTE: Folha Online | FOTO: Divulgação