
Com distanciamento social, avanço da tecnologia vira ferramenta de aproximação para pais e suas crianças
Por Marline Negreiros, especial para o Juristec

Mariana, @marilisboafreitas, nasceu em meio ao turbilhão da pandemia do Covid-19, em julho de 2020, em Natal (RN). Os últimos meses da gestação e o primeiro ano de vida foram cercados de “lockdowns”. Compartilhar presencialmente o crescimento da pequena com familiares e amigos ficou praticamente impossível. Então seu irmão mais velho, Leonardo, deu a ideia à mãe e jornalista, Juliana Manzano, de criar o instagram de Mari. “Criei a página ainda na gestação e a primeira foto foi da barriga. O objetivo é de aproximar, é fazer com que as pessoas que estão distantes consigam acompanhar o crescimento dela”, explica Manzano.
Diante desse cenário de enfrentamento de pandemia e dos avanços cada vez maiores das tecnologias, a presença das crianças nas redes sociais é cada vez mais frequente. Pais e mães criam páginas para suas crianças como uma forma de aproximar e mostrar seus filhos como naqueles antigos “álbuns de família”. O especialista em marketing digital, Beto Canuto, alerta que as redes sociais formam algo parecido como o maior shopping center do mundo aonde bilhões de pessoas trafegam diariamente. “As famílias precisam ter clareza quanto a essa dimensão de estar nas redes sociais. É uma porta aberta”, destaca Canuto.
Existe uma pesquisa da AVG, uma empresa de segurança digital, mostrando que de três a cada quatro crianças com menos de dois anos têm fotos publicadas pelos pais. “O estudo chegou a conclusão que a principal causa desse número é a empolgação mesmo dos pais quererem mostrar como estão felizes com seus filhos”, relata Canuto. A jornalista Juliana Manzano diz que a presença das crianças nas redes sociais deve ser tratada com muita cautela, pois sabe que a internet é “terra de ninguém”, apesar de já existirem leis que criminalizam as práticas ilícitas nesse meio. “A gente tem que ter muita cautela ao colocar nossos filhos nas redes. Não condeno quem acha que não deve ter, mas também não acho que devo ser condenada por pensar diferente. Meu filho mais velho, Léo, tem 9 anos e eu também criei uma página para ele, quando tinha uns três anos. Ele atualmente quase não usa. Eu monitoro tudo nas páginas dos dois, que são fechadas”, ressalta Manzano.

Quem tem perfil nas redes sociais e costuma visualizar já deve ter visto a presença de crianças que ganharam a atenção de milhares de pessoas, como é o caso da pequena Alice, filha da fotógrafa Morgana Seco. A menina de apenas dois aninhos viralizou pronunciando palavras proparotíxonas de dá inveja em alguns adultos. Em entrevistas e na própria página do Instagram, Morgana explicou que o sucesso dos vídeos de Alice foi despretensioso, não imaginou que iria tomar essa proporção. “Não condeno, se está sendo legal para a família, se eles tomam os cuidados e não atrapalha a criança, que mal faz?”, reflete Juliana Manzano.

Para finalizar, especialista Beto Canuto deixa algumas dicas para quem deseja postar imagens das crianças nas redes sociais:
*Cuidado para que as fotos não exponham demais o corpo das crianças
*Criar uma lista de melhores amigos
*Manter o perfil privado nas redes sociais
*Antes de postar, verificar se na imagem ou na postagem tem alguma identificação de onde a criança estuda, ou locais que frequenta
*Não fazer check ins nas redes sociais em lugares onde a família está
