Na esteira dos problemas da 123milhas, outra empresa do grupo, a Maxmilhas, também entrou com pedido de recuperação judicial no Tribunal de Justiça de Minas Gerais, conforme comunicado divulgado nesta quinta-feira (21).

Segundo a companhia, o pedido de recuperação judicial se deve, principalmente, aos efeitos no mercado de agências de turismo online decorrentes da reestruturação da 123milhas.

O caso engrossa a lista de solicitações de proteção deste ano, que, apenas no primeiro semestre, soma 593 empresas. O número é 52% maior do que o registrado no mesmo período de 2022, quando foram 390 pedidos.

Os dados são do levantamento mais recente do Indicador de Recuperação Judicial e Falências da Serasa Experian, referentes a junho de 2023.

No sexto mês do ano, foram 92 pedidos de recuperação, 61,4% acima do mesmo período do ano anterior.

Luiz Rabi, economista da Serasa Experian, explica que as altas taxas de juros e a desaceleração da economia estão entre as causas do aumento de pedidos de recuperação e falências neste ano.

“A alta das solicitações é uma consequência do crescimento da inadimplência que estamos vendo desde setembro de 2021. Cedo ou tarde, a inadimplência acumulada bate à porta da insolvência”, diz.

“E essa tendência de inadimplência é a combinação de juros altos e da estagnação econômica que advém do aperto monetário”.

Confira algumas empresas que pediram recuperação judicial neste ano

A Americanas entrou com um pedido de recuperação judicial em janeiro deste ano. As dívidas da empresa somam R$ 43 bilhões e envolvem credores financeiros, trabalhistas e fornecedores. É o quarto maior caso já registrado no país, perdendo apenas para as recuperações judiciais da Odebrecht (R$ 80 bilhões), Oi (R$ 65 bilhões) e Samarco (R$ 65 bilhões).

Grupo Petrópolis
O grupo Petrópolis, dono das marcas da cerveja Itaipava, Crystal, Petra, entre outras, entrou com pedido de recuperação judicial em março deste ano. Segundo o pedido da defesa, as dívidas da empresa somam R$ 4,4 bilhões.

Oi
A Oi entrou com seu segundo pedido de recuperação judicial na 7ª Vara Empresarial da Comarca da Capital do Estado do Rio de Janeiro, conforme documento divulgado pela companhia em março. O pedido vem após a empresa sair de um processo de recuperação judicial em dezembro passado. O processo anterior levou seis anos para ser concluído.

Ligth
A Light informou em maio que entrou com pedido de recuperação judicial na 3ª Vara Empresarial do Estado do Rio de Janeiro, citando dívidas de cerca de R$ 11 bilhões.

123 Milhas
A 123milhas entrou com pedido de recuperação no Tribunal de Justiça de Minas Geral em agosto deste ano, após suspender uma série de operações e virar alvo de órgãos públicos e de defesa do consumidor. O processo de recuperação, porém, foi suspenso pela Justiça no dia 20 de setembro após pedido do Banco do Brasil, um dos maiores credores da empresa.

Maxmilhas
A Maxmilhas, empresa do grupo da agência de viagens 123milhas, entrou com pedido de recuperação judicial em setembro deste ano, no Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Segundo a companhia, o pedido de recuperação judicial se deve aos efeitos no mercado de agências de turismo online decorrentes da reestruturação da 123milhas.

FONTE: Jornal Floripa | FOTO: Reprodução