
Empresas brasileiras têm revisado suas estratégias e adotado o movimento de “back to basics”, voltando a focar em seus negócios principais após um período de expansão e diversificação. Esse reposicionamento ocorre em meio a um cenário macroeconômico mais adverso, com juros elevados e maior dificuldade de captação de recursos, o que levou muitas companhias a vender ativos considerados não essenciais e simplificar suas operações.
A Natura é um dos exemplos desse movimento. A empresa iniciou, ainda em 2022, um processo de reestruturação que incluiu a venda de marcas internacionais como Aesop, The Body Shop e Avon Internacional. Com isso, passou a concentrar suas atividades nas marcas Natura e Avon na América Latina, buscando maior eficiência e foco no seu núcleo de atuação.
Na mesma linha, a Alpargatas promoveu mudanças para reduzir a complexidade do negócio. A companhia diminuiu significativamente seu portfólio de produtos e voltou a priorizar a marca Havaianas como principal fonte de receita. A estratégia trouxe resultados positivos, com crescimento de receita, melhora de margens e recuperação das operações internacionais, além de uma gestão mais eficiente de custos e estoques.
A CVC também passou por um processo de reestruturação a partir de 2023, após um período marcado por aquisições que fragmentaram sua operação. A empresa simplificou seu portfólio, resgatou sua cultura de vendas e reorganizou sua estrutura, conseguindo reduzir o endividamento e melhorar seus indicadores operacionais. Além disso, reforçou o modelo “figital”, integrando vendas digitais e atendimento físico.
Já a Technos iniciou seu movimento de simplificação antes mesmo da pandemia, ao perceber que a diversificação para áreas fora do seu negócio principal, como joias, prejudicava sua eficiência. A empresa voltou a focar no mercado de relógios, reduziu sua estrutura e ganhou agilidade, o que resultou em crescimento de receita e melhora nos resultados financeiros.
Em comum, essas empresas demonstram uma mudança de postura diante do novo contexto econômico: em vez de expandir para diferentes áreas, estão priorizando eficiência, redução de custos e fortalecimento de seus negócios centrais como estratégia para sustentar o crescimento.
