
Nos últimos anos, tornou-se comum a proliferação de grupos fechados, clubes de networking e programas de mentoria empresarial. A promessa é sedutora: convivência com empresários de sucesso, discursos inspiradores e a ideia de que a proximidade, por si só, acelera resultados. Para muitos iniciantes, isso soa como um atalho. Mas a experiência prática mostra que essa narrativa exige um olhar mais crítico.
É fato que ambientes de troca qualificada geram valor. O compartilhamento de erros reais, decisões difíceis e estratégias efetivas encurta o ciclo de aprendizagem. Além disso, a dimensão emocional costuma ser negligenciada: empreender é solitário, e estar entre pares que enfrentam dilemas semelhantes cria pertencimento e fortalece o equilíbrio psicológico. Só o compromisso de participar de encontros regulares já impõe disciplina — e disciplina é gestão.
Contudo, é preciso reconhecer os limites. Proximidade com empresários bem-sucedidos não produz, por contágio, os mesmos resultados. A equação do sucesso continua baseada em estratégia, execução e constância. Cada negócio carrega variáveis próprias — setor, capital, momento da empresa, perfil societário, histórico operacional. Ignorar essas especificidades em nome de “métodos universais” pode gerar frustração, comparação distorcida e até uma sensação injusta de incapacidade.
Há também a dimensão econômica. Muitos desses grupos operam com mensalidades elevadas, justificadas pela presença de nomes conhecidos. Para empresas consolidadas, pode ser um investimento relevante. Para quem está no início da jornada, porém, é possível que esse recurso produza mais impacto se direcionado a qualificação técnica, consultorias pontuais, estruturação interna ou marketing. Não raramente, paga-se mais pela sensação de pertencimento do que pelo conteúdo.
Nada disso deslegitima o fenômeno. Comunidades de aprendizagem fazem parte de uma tendência global e podem, sim, gerar avanços significativos — desde que a adesão seja consciente. Antes de entrar, o empreendedor precisa responder, com honestidade: este grupo dialoga com o estágio atual do meu negócio? Há convergência entre os desafios enfrentados? O retorno esperado é realista? O investimento é sustentável? Estou buscando conhecimento ou apenas proximidade simbólica?
A maturidade está justamente nessa distinção. A convivência inspira, a troca fortalece, e a disciplina coletiva ajuda. Mas nenhum desses elementos substitui a realidade que sempre prevalece: estratégia, trabalho consistente e decisões fundamentadas. O risco não está nos grupos — está na ilusão de que ocupar a mesma sala garante o mesmo resultado.
No final, crescemos mais com reflexão crítica e menos com promessas de atalhos.
João Montenegro é professor da UFRN, CEO da Montenegro HUB, contador e pesquisador em inovação, gestão e empreendedorismo. É colunista do Portal Juristec, onde escreve sobre temas que conectam pessoas, decisões e negócios em movimento.
