
O Brasil vive um cenário preocupante de endividamento. O acesso ao crédito ficou mais fácil, novas modalidades de empréstimos surgem constantemente e, em muitos casos, a educação financeira não acompanha essa evolução. Como consequência, milhões de brasileiros convivem com dívidas que afetam sua qualidade de vida, sua saúde emocional e até seu desempenho profissional.
Dados recentes mostram que o país já ultrapassou a marca de 80 milhões de inadimplentes. Esse número revela que o problema deixou de ser individual e passou a representar um desafio social e econômico.
Nesse contexto, chama atenção a ampliação das políticas de crédito. Um exemplo recente é o programa Crédito do Trabalhador, que permite a contratação de empréstimos utilizando recursos do FGTS como garantia. Embora a iniciativa facilite o acesso ao crédito, também levanta uma reflexão importante: estamos ampliando o crédito na mesma velocidade em que educamos financeiramente a população?
Os reflexos desse cenário são percebidos dentro das empresas. Colaboradores excessivamente endividados tendem a enfrentar mais ansiedade, dificuldades de concentração e menor produtividade. Muitas vezes, a sensação de que o salário é insuficiente está relacionada ao elevado comprometimento da renda com empréstimos e financiamentos.
Na Montenegro Contabilidade, temos observado essa realidade cada vez mais presente entre nossos clientes. São frequentes os relatos de dificuldades financeiras dos colaboradores, pedidos de adiantamento salarial e impactos no ambiente de trabalho.
Por isso, acredito que a educação financeira deve ser tratada como uma estratégia de desenvolvimento humano. Empresas que investem na conscientização financeira de suas equipes contribuem para melhorar a qualidade de vida dos colaboradores e fortalecer seus resultados.
Tenho levado essa discussão para diversas organizações por meio de palestras sobre consumo consciente e planejamento financeiro. Afinal, mais importante do que ter acesso ao crédito é saber utilizá-lo com responsabilidade.
Em um país cada vez mais endividado, a educação financeira continua sendo uma das ferramentas mais eficazes para transformar realidades, fortalecer famílias e construir empresas mais saudáveis.
João Montenegro é professor da UFRN, CEO da Montenegro HUB, contador e pesquisador em inovação, gestão e empreendedorismo. É colunista do Portal Juristec, onde escreve sobre temas que conectam pessoas, decisões e negócios em movimento.
