
A Justiça Eleitoral do Amapá derrubou dez páginas nas redes sociais que fariam parte da “milícia digital” supostamente ligada ao ex-prefeito de Macapá Antônio Furlan, conhecido como Dr. Furlan (PSD).
As páginas no Instagram e no Facebook eram de informações da Prefeitura de Macapá e obras da cidade. Mas, segundo o inquérito da PF sob sigilo, o grupo também era usado para atacar adversários de Furlan com uso de deepfake, inteligência artificial e dados inverídicos.
A decisão é da juíza eleitoral Paola Julien, do TRE-AP. Ela foi reconduzida ao cargo em maio do ano passado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A investigação da PF aponta que as páginas receberam R$ 25 milhões de verba pública e que o dinheiro teria sido usado de forma irregular.
Na representação da PF obtida pela CNN Brasil, os investigadores chegaram a pedir a prisão de investigadosligados ao ex-prefeito Dr. Furlan, de ex-secretários de comunicação e dos donos dos perfis nas redes sociais que receberam dinheiro da administração municipal.
A juíza, no entanto, não deferiu prisões e autorizou mandados de busca e apreensão na operação Palanque Digital, e a derrubada dos perfis. O TRE enviou a lista para a empresa Meta, responsável pelas redes.
A operação
As investigações apontam que os valores de R$ 25 milhões destinados à comunicação pública da Prefeitura de Macapá teriam sido desviados de sua finalidade original para custear influenciadores digitais, veículos e empresas de comunicação para a divulgação de ações de caráter político-eleitoral.
O ex-prefeito de Macapá, Dr. Furlan (PSD), foi alvo das buscas. Ele deixou a Prefeitura de Macapá em março, um dia após ser alvo de outra operação, que apura suposta fraude em licitação para desviar R$ 70 milhões que deveriam ser aplicados em um hospital municipal.
A PF explicou que a organização digital se dividiria em sete núcleos. O mais importante deles seria o “núcleo estratégico e de comando”, em que lideranças políticas orientavam a execução de campanhas promocionais e ofensivas, determinavam a intensificação de ataques, deliberavam a destinação de recursos e definiam as pautas e os alvos dos ataques.
Após a operação, Dr. Furlan afirmou nas redes sociais estar tranquilo, disse que a verdade prevalecerá e criticou qualquer prática ligada à criação ou disseminação de notícias falsas.
“Práticas que atentam contra a verdade e a ética não refletem os nossos valores e nunca terão espaço em nossas ações”, declarou.
Nesta quinta-feira (28), a advogada de Furlan, Amanda Figueiredo, destacou em nota que “associações feitas de forma indireta não correspondem à realidade”. “A defesa acompanha as investigações com plena confiança no trabalho das instituições e se coloca à disposição para prestar todos os esclarecimentos necessários”, disse.
