
Um estagiário de pós-graduação em Direito da 1ª Promotoria de Justiça de Pitanga, no Centro-Sul do Paraná, foi demitido após se aproveitar do cargo e oferecer serviço advocatício a um acusado de violência doméstica em troca de academia grátis. O caso ocorreu em março de 2026.
O residente teria ofertado trabalho da própria mãe em troca de mensalidade gratuita na academia da qual o homem acusado é proprietário.
O Ministério Público do Paraná foi notificado após a ex-esposa e vítima do indivíduo que responde por violência doméstica ter visto a proposta indevida enviada no celular do ex-companheiro.
De acordo com o promotor de Justiça Frederico Augusto Gomes, a ação foi descoberta porque, após a separação, a mulher teria o poder de ficar com o celular. Isso permitiu que ela tomasse conhecimento sobre o caso.
“Na intenção de captar o possível cliente para o escritório da mãe, ele teria dado a entender que sua posição dentro da Promotoria de Justiça seria benéfica ao acusado, com grande possibilidade de sucesso no desenrolar do processo”, disse Gomes.
A denúncia apontou os crimes de violação de sigilo funcional, corrupção passiva e fraude processual.
Entenda o caso
O estagiário teria ciência do processo ao qual o dono da academia respondia na mesma Promotoria em que trabalhava e aproveitou para cooptar o cliente e oferecer uma advogada para o processo. A defesa, nesse caso, seria a mãe do próprio pós-graduando.
A partir disso, o sujeito enviou mensagens no celular do acusado propondo que, em troca do serviço de advocacia, o dono da academia fornecesse acesso ao estabelecimento sem pagamento da mensalidade.
O residente jurídico ainda tentou ocultar as mensagens trocadas com o homem que respondia ao processo.
Assim que a ex-mulher do acusado viu as mensagens, denunciou o estagiário ao próprio órgão em que ele mesmo trabalhava. O Ministério Público do Paraná decidiu pela demissão sem oferecimento de acordo entre as partes.
Somadas as penas, o pós-graduando pode cumprir até 16 anos de reclusão com pagamento de multa.
