A advogada Tayane Dalazen, mordida por um tubarão-lixa no dia 9, na Praia do Porto, em Fernando de Noronha/PE, usou o episódio para alertar sobre a convivência com a fauna silvestre e brincou ter feito uma “sustentação oral” em defesa do animal.

Em vídeo publicado nas redes, Tayane relatou que a espécie não costuma atacar humanos e que, no momento do incidente, não havia qualquer fator que pudesse atrair o tubarão, como alimentos, joias ou acessórios brilhantes. Os ferimentos, segundo ela, foram leves.

A advogada contou que entrou no mar a partir da praia, com snorkel, e nadou até o ponto do mergulho. Disse que nadava próxima aos tubarões com cautela, justamente para evitar contato, quando percebeu alvoroço no grupo. Momentos depois, ao mergulhar, sentiu a mordida. “Em nenhum momento toquei, alimentei ou provoquei qualquer animal, nem saltei de embarcação”, afirmou.

Possível perturbação

Em vídeo gravado pouco antes do ataque, Tayane afirmou que um guia de outro grupo teria atingido um tubarão com uma câmera. Ela disse não saber se a mordida pode ter sido influenciada pela ação, mas ressaltou que a conduta deve ser apurada.

Para a advogada, a situação contraria orientações geralmente recomendadas em encontros com tubarões. “O que orientam é o oposto: manter a calma, evitar movimentos bruscos e não agitar o ambiente.”

Segundo ela, reações físicas só seriam indicadas em situações de risco real — o que, na avaliação dela, não se verificaria nas imagens. “Não era uma situação de ataque iminente, a ensejar uma pancada na cabeça do animal.”

Convidada a participar do programa Encontro, da Rede Globo, Tayane comentou que discordou da avaliação apresentada durante a atração, segundo a qual a reação do guia seria comum quando o animal se aproxima a curta distância.

“Doutora tubarão”

A advogada, que atua principalmente nas áreas Trabalhista e Tributária, contou de forma bem-humorada que passou a ser chamada de “doutora tubarão”. Ela é filha do ministro aposentado do TST João Oreste Dalazen, que faleceu em 2024.

No Instagram, ela afirmou que o ano começou “de forma marcante”, mas mostrou que a ferida está cicatrizando bem.

“Há situações que nos tornam mais resilientes e nos ensinam a ressignificar os percalços vividos.”

Ao tratar do episódio sob a ótica jurídica, Tayane citou o decreto 6.514/08, que dispõe sobre infrações e sanções administrativas ao meio ambiente. Segundo ela, o art. 90 prevê multa de até R$ 10 mil para quem tocar, assediar ou perturbar animais silvestres.

Veja o artigo:

Art. 90.  Realizar quaisquer atividades ou adotar conduta em desacordo com os objetivos da unidade de conservação, o seu plano de manejo e regulamentos:

Multa de R$ 500,00 (quinhentos reais) a R$ 10.000,00 (dez mil reais).

Ela defendeu que não faz sentido tratar esse tipo de conduta como “praxe” para afastar tubarões.

“Então fica aqui a minha sustentação oral. Com respeito, e amor ao debate, em defesa do meu cliente: o tubarão.”

No programa, ela disse que a cicatrização evolui bem e que, embora ferimentos causados por animais exijam cuidados específicos, está fora de risco e pretende retornar ao arquipélago.

Monitoramento

Após o incidente, o governo de Pernambuco anunciou a retomada de um projeto de monitoramento de tubarões que estava encerrado há 11 anos. A medida foi publicada no Diário Oficial no último dia 14, com previsão de início das atividades em maio.

O edital prevê investimento de R$ 1,052 milhão, com duração de dois anos, para financiar pesquisas acadêmicas voltadas ao acompanhamento dos padrões de deslocamento e da ecologia comportamental das espécies no litoral pernambucano. Segundo informações divulgadas pelo Executivo estadual, Pernambuco concentra cerca de 60% dos ataques de tubarão registrados no país.

Atualmente, o monitoramento contínuo ocorre apenas no Arquipélago de Fernando de Noronha, mas a iniciativa deve ampliar a atuação para toda a costa continental, com a proposta de mapear zonas de risco, atualizar dados científicos e aprimorar estratégias de prevenção, comunicação e segurança aquática. A expectativa é que os resultados também subsidiem medidas e orientações voltadas à preservação e ao manejo da fauna marinha.

FONTE: Portal Migalhas | FOTO:  Getty Images