A maioria dos advogados brasileiros acredita que o Poder Judiciário é lento e que o acesso à Justiça é difícil. É o que mostra o Índice de Confiança dos Advogados na Justiça (Icaj) de 2025, produzido pelos professores Claudio de Souza Miranda (da Faculdade de Economia e Administração de Ribeirão Preto) e Marco Aurélio Gumieri Valério (da Faculdade de Direito de Ribeirão Preto) e pela USP, com apoio da Fundação para Pesquisa e Desenvolvimento da Administração, Contabilidade e Economia (Fundace), instituição criada por pesquisadores dentro da universidade. O índice compila percepções sobre o Judiciário, com base em questões como honestidade, eficiência e custo.

A pesquisa é feita desde 2010. Foram ouvidos, nesta edição, 1.270 advogados de todos os estados do Brasil e do Distrito Federal. A maioria deles é homem (64,9%), está em capitais (59%) e no Sudeste (52,5%). No Sul estão 20,6% dos respondentes, no Centro-Oeste 12,4%, no Nordeste 10,2% e no Norte 4,2%. Também foram ouvidos causídicos de cidades não capitais com mais de 500 mil habitantes (13,8%), que têm entre 250 e 500 mil habitantes (8,3%), entre 100 e 250 mil habitantes (6%), entre 50 e 100 mil (5,2%) e com menos de 50 mil pessoas (7,7%). As mulheres são 35,1% entre os respondentes.

A maior parte dos entrevistados atua com contratos, na área Civil (47,6%) e tem de 11 a 15 anos de registro na Ordem dos Advogados do Brasil (21,3%). As avaliações compõem uma nota geral, que em 2025 foi de 31,4, em uma escala de 0 a 100. Quanto à rapidez na solução de litígios, o descontentamento é expressivo: 50,8% acredita que o sistema é muito lento e 44,8% acredita que é lento.

Acesso e lentidão

Cada pergunta da pesquisa recebe uma nota (com base na porcentagem de respostas) que compõe a nota final, junto das outras. Apesar de considerarem o Poder Judiciário lento, essa nota subiu para 17,8. Ela nunca tinha passado de 13,9.

Quanto ao acesso à Justiça, a despeito da maioria considerar difícil (43%), 38% considera fácil. A nota nesse quesito também é a maior da série de pesquisas, de 46,6. A última maior nota foi obtida em 2017, na última edição do índice (45,9).

Por regiões, a menor nota quanto à rapidez veio do Nordeste (12,6). A maior foi de 21, no Sul. O Nordeste também é a região mais descrente quando o assunto é o acesso à Justiça, dando a essa questão a nota de 39,5. Os mais confiantes estão no Sudeste (a nota foi de 48,2).

Diferenças de perfil

Os respondentes que mais deram zero em todos os quesitos da pesquisa são do gênero masculino, moram em cidades de até 100 mil habitantes (principalmente nas regiões Norte, Centro-Oeste e Nordeste) e exercem a advocacia entre 11 e 20 anos. As mulheres — grupo em que a confiança no Judiciário cresceu — estão mais nas grandes cidades, segundo o professor Claudio Miranda.

Por região, destaca-se a queda expressiva na nota geral do Centro-Oeste, que foi de 33,2 para 27,8. “Isso não se pode afirmar, mas é possível inferir que isso se deve a um perfil mais conservador que os profissionais têm, principalmente em cidades menores, no Norte e Centro-Oeste”, diz o pesquisador.

No Nordeste, a nota também caiu (de 29,4 em 2017 para 26,2 em 2025). Na contramão, os índices do Sudeste (de 32,3 para 33,3) e do Norte (de 26,2 para 28,7) aumentaram. “Estatisticamente não é significativo, mas há, sim, um processo de crescimento”, diz Miranda.

FONTE: Conjur | FOTO: Freepik