Apesar de serem maioria no Tribunal Superior do Trabalho e no Conselho Superior da Justiça do Trabalho, as mulheres estão em menor número nos comitês de decisão institucional. Os dados vêm da pesquisa “Participação Feminina no TST e CSJT”, produzida pelo Centro de Pesquisas Judiciárias, Estatística e Ciência de Dados (CPJED) do TST.

Em cargos comissionados, há mais mulheres que homens quando se somam as duas instituições. São 1.195 mulheres (55,6%) e 956 homens (44,4%). Contudo, nos Comitês Temáticos de Governança, elas são apenas 22,4% do corpo de servidores, em comparação a 77,6% de homens.

Liderança e oportunidades

Nos cargos de liderança entre os servidores, como um todo, há mais homens que mulheres. Mulheres são 39,5% e homens são 60,5%. Entre as mulheres que ocupam cargos de gestão, diz o estudo, a maioria (72,6%) é branca. As pardas correspondem a 24,4%, enquanto as mulheres pretas e amarelas representam 1,5% cada dos cargos. Entre os homens (207 servidores), o percentual de pardos e pretos líderes é maior, de 32,9% e 3,4%, respectivamente.

Apesar disso, 71,3% das entrevistadas dizem perceber que as mulheres são encorajadas e têm oportunidade de assumir cargos de chefia dentro do TST. Paralelamente, 57% delas dizem perceber que uma mulher precisa se esforçar mais do que um homem para ser promovida dentro do tribunal.

Discriminação de gênero

Um dos blocos do relatório trata de possíveis preconceitos e discriminação de gênero já vivenciados pelas servidoras. Entre as participantes, 57,8% afirmam já ter recebido comentários sobre sua aparência física no trabalho e 58,6% dizem já ter presenciado comentários sexistas.

A maternidade também foi abordada: 41% das servidoras relataram já ter presenciado uma situação em que uma mãe foi prejudicada profissionalmente por ter filhos. Quase metade das participantes (46,3%) acredita que a licença-maternidade é vista como negativa quando uma mulher almeja promoção.

Outro ponto relevante é o gaslighting, situação em que informações são distorcidas, seletivamente omitidas ou inventadas com a intenção de fazer a mulher duvidar de sua própria percepção.

Entre as respondentes com deficiência, 66,7% afirmaram ter vivenciado ou presenciado situações de gaslighting, percentual consideravelmente mais alto em comparação com o registrado entre mulheres sem deficiência (29,2%).

FONTE: Conjur | FOTO: Flickr