A Indústria 4.0 marcou a transformação digital com robótica avançada, inteligência artificial, big data e internet das coisas, remodelando cadeias de produção e serviços no mundo todo. Trouxe ganhos de eficiência sem precedentes, mas também acendeu alertas sobre desemprego tecnológico, desumanização do trabalho e concentração de poder.

É nesse cenário que surge a Indústria 5.0, que não nega os avanços da 4.0, mas propõe recolocar o ser humano no centro da inovação. Mais do que fazer mais com menos, trata-se de fazer melhor — com sustentabilidade, ética e personalização.

Durante uma aula no doutorado em Engenharia de Produção da UFPE, na disciplina de Sistemas de Informação, discutimos o artigo “Towards emerging Industry 5.0 – a review-based framework”, de Ashalakshmy Nair, Sini V. Pillai e S.A. Senthil Kumar, que evidencia exatamente essa transição: se a 4.0 foi a era da supremacia da tecnologia, a 5.0 valoriza a integração entre homem e máquina, resgatando valores humanos como parte essencial da transformação digital.

Novas oportunidades e desafios
Nesse modelo, robôs assumem as tarefas repetitivas e previsíveis e liberam profissionais para decisões criativas e estratégicas. As oportunidades incluem colaboração humano-máquina, personalização em larga escala, realidade aumentada em treinamentos e soluções voltadas à sustentabilidade. Mas os desafios também são claros: necessidade de requalificação constante, riscos à privacidade e dilemas éticos que acompanham a velocidade da inovação.

O futuro do trabalho
Mais do que um avanço tecnológico, a Indústria 5.0 representa uma mudança de mentalidade. O futuro exigirá profissionais multidisciplinares, que unam técnica a empatia, criatividade e pensamento crítico. Para as empresas, o desafio será alinhar tecnologia e propósito, mostrando que inovação não é apenas eficiência, mas impacto positivo na vida das pessoas. No fim, essa nova era nos lembra de um princípio essencial: não basta fazer as coisas certas, é preciso fazer a coisa certa.

 

João Montenegro é professor da UFRN, CEO da Montenegro HUB, contador e pesquisador em inovação, gestão e empreendedorismo. É colunista do Portal Juristec, onde escreve sobre temas que conectam pessoas, decisões e negócios em movimento.