
As plataformas de redes sociais são as principais responsáveis por uma crise na imprensa que leva à incivilidade da sociedade, segundo o presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Luís Roberto Barroso. Para ele, isso é importante porque os veículos de informação prestam um serviço de interesse público.
“No momento em que a imprensa tradicional perdeu espaço para as plataformas digitais, passamos a viver esse universo das narrativas próprias. Esse é o aspecto negativo do mundo que estamos vivendo”, disse Barroso na manhã desta sexta-feira (15/8), quando proferiu a palestra de abertura do seminário “O Trabalho na Era das Transições”, no Salão Nobre da Faculdade de Direito da USP, em São Paulo.
No evento, o ministro voltou a associar incivilidade e tecnologia, em um discurso semelhante ao que fez no Tribunal de Contas do Município de São Paulo em março deste ano, quando recebeu o Colar de Mérito Prefeito Brigadeiro Faria Lima, a mais alta honraria da corte.
Nesta sexta, Barroso disse que a inteligência artificial coloca a sociedade em uma nova revolução industrial, em que a velocidade de transformação é exponencial. “O impacto para o mercado de trabalho é devastador, para o bem e para o mal. É preciso regular a inteligência artificial para que ela siga em uma trilha ética, que sirva ao propósito humano.”
No Poder Judiciário, ele citou ferramentas como a Maria, inteligência artificial generativa do STF que cria textos. Além dela, uma IA que elabora minutas está sendo testada. O ministro não especificou em que condições essa tecnologia será aplicada e em quais tribunais.
Na palestra, Barroso mencionou um estudo apresentado no Fórum Econômico Mundial de 2023 que disse que 65% das crianças que entram na escola atualmente vão trabalhar em funções que não existem, por causa das novas tecnologias. O mesmo estudo, segundo ele, mostrou que a automação vai eliminar 35 milhões de empregos, mas também vai criar 90 milhões de vagas em novas funções.
Ele alertou que há o risco do surgimento de uma lacuna na educação: “Não será uma transição fácil. As pessoas terão de se recapacitar”.
