
A disparada do preço do petróleo provocada pela guerra no Oriente Médio levou companhias aéreas a reduzirem voos no Brasil e revisarem suas estratégias para os próximos meses. Segundo dados da Anac compilados pela Abear, o país perdeu, em média, 93 voos diários em maio, uma queda de 4,3% na oferta prevista inicialmente pelas empresas.
A redução representa cerca de 14 mil assentos a menos por dia. Antes da crise, as aéreas planejavam operar quase 68 mil voos no mês, mas a estimativa caiu para pouco mais de 65 mil. Para junho, o cenário deve piorar, com previsão de corte de 121 voos diários.
Os estados mais afetados foram Acre e Amazonas, além de Pernambuco, Goiás, Pará, Paraíba e Minas Gerais. As companhias priorizaram rotas mais rentáveis, enquanto trechos menos lucrativos sofreram maiores cortes.
O principal motivo é o aumento expressivo do querosene de aviação (QAV), que praticamente dobrou de preço desde fevereiro. Apenas entre março e maio, a Petrobras aplicou três reajustes consecutivos no combustível, acumulando alta de 99%.
Diante do cenário, empresas como Azul Linhas Aéreas, LATAM Airlines Brasil e Gol Linhas Aéreas reduziram a oferta de assentos, reorganizaram suas malhas e aumentaram tarifas. A Azul informou cortes de 5% na capacidade entre maio e junho, enquanto a Latam reduziu em cerca de 3% sua oferta prevista para junho e retirou projeções de crescimento para 2026.
Além do combustível mais caro, o setor demonstra preocupação com o fim dos incentivos tributários sobre o QAV previsto para o fim de maio. Representantes das companhias avaliam que o aumento dos custos pode pressionar ainda mais preços das passagens e comprometer a recuperação do setor aéreo.
