
Os investimentos contratados em concessões e PPPs federais cresceram mais de 113% no atual governo, alcançando R$ 124,7 bilhões entre 2023 e abril de 2026, segundo levantamento da Radar PPP. O avanço foi impulsionado principalmente pelas concessões de rodovias, que responderam por quase 90% do total contratado.
Apesar do aumento no volume financeiro, o número de contratos assinados é menor do que no governo anterior: foram 41 acordos na atual gestão, contra 68 entre 2019 e 2022. A diferença é explicada pelo porte dos projetos recentes, marcados por grandes corredores rodoviários e licitações bilionárias.
Especialistas apontam que houve continuidade na política de concessões, independentemente da mudança de governo. Segundo analistas do setor, o mercado foi surpreendido positivamente pelo ritmo dos leilões e pela melhora na qualidade dos contratos, com divisão de riscos mais equilibrada e maior segurança para investidores.
Outro fator que favoreceu os investimentos foi a disponibilidade de crédito para infraestrutura, impulsionada pela atuação do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social e pelo mercado de debêntures incentivadas. Ainda assim, os juros elevados seguem sendo um desafio para novos projetos.
A expectativa entre especialistas é de que a agenda de concessões continue nos próximos governos, independentemente do resultado das eleições. Para o setor, o modelo deixou de ser uma pauta ideológica e passou a ser visto como instrumento necessário para ampliar investimentos em infraestrutura.
Nos próximos anos, porém, o principal desafio será renovar a carteira de projetos. Segundo a Abdib, o pipeline federal reúne potencial de R$ 327,5 bilhões em investimentos, mas especialistas alertam que os ativos mais rentáveis já foram concedidos. Com isso, setores como ferrovias, mobilidade urbana, saúde e educação devem exigir mais participação do poder público e modelos de PPP para garantir viabilidade econômica.
